Mariana Oliveira
A Primeira Sincronizada. Criou a magia programada, formou a resistência humana e nunca teve Casa — porque Casa nenhuma existia ainda.
“Sem ela, nada do Beco existe. Ela nunca soube disso.”
O que se vê
1,68m. Magra de quem esquece de comer, não de quem cuida.
Ombros curvados para a frente — vinte anos debruçada sobre caderno e teclado. Cabelo castanho-escuro sempre preso às pressas e sempre escapando; ela afasta a mecha com o dorso da mão sem interromper o que está fazendo, centenas de vezes por dia.
Olheiras permanentes desde 2000, mais fundas a cada ano.
Uma queimadura pequena na palma direita, do primeiro cristal que sincronizou e que esquentou mais do que devia. Nunca sarou. Ela nunca reclamou.
O que ela fez
Nasceu em 1981, na Vila Madalena. Adriana, a irmã mais velha, a arrastou ao primeiro cyber café em 1995.
Em março de 2000, Adriana achou um cristal na calçada da Rua Aspicuelta e entregou sem cerimônia. Morreu no dia seguinte, jogando, de hemorragia interna.
Foi esse cristal que Mariana sincronizou em 2006 — a primeira sincronização humano-cristal da história. Soldou-o direto num laptop velho. Latência zero, sem eletricidade.
Doutoranda em Engenharia de Computação pela USP, bolsa cancelada depois do Glitch. Encontrou Severinom no porão em 2005, aos vinte e quatro anos. Reconheceu o elfo dos próprios sonhos.
Espalhou o conhecimento por IRC criptografado entre 2006 e 2008, recrutando gamers sensíveis. Aceitou Celestia como pupila em 2009. Batizou o Scanner Astral em 2010. Co-organizou o torneio de 2015 com Severinom. Assumiu como primeira Conselheira da Aliança dos Quatro Clãs em 2017.
O que ficou
Os jogos mataram a irmã dela. Ela dedicou a vida aos jogos.
Nunca disse se aquilo era homenagem, vingança ou teimosia.
Situação atual incerta — provavelmente falecida, por simples cálculo de gerações. Os arquivos dela estão com os Videntes do Cosmo, intactos.